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HISTÓRIAS DE MARACATU

Eram típicos no carnaval de antigamente. Típicos, numerosos, importantes, suntuosos. No meio do vozerio da mascarada, dominando as marchas dos cordões, ouvia-se ainda longe o rumor constante, uniforme, monótono dos atabaques:

Bum…bum…bum…bum…
Bum…bum…bum…bum…

Era um maracatu. Havia os que gostavam dele e esperavam-no com curiosidade. Havia os que protestavam contra a revivescência africana e resmungavam.

Bum…bum…bum…bum…

No fim da rua, por cima do povo, surdia o grande chapéu de sol vermelho, rodando, oscilando, curvando-se. E o batuque cada vez mais perto, mais perto. Dali a pouco desfilava o cortejo real dos negros. Vinha o rico estandarte com cores vivas e bordados a ouro. Seguiam-se as alas de mulheres ostentando turbantes, saias bem rodadas, corpetes enfeitados de vidrilhos. Traziam fetiches religiosos nas mãos. Depois o Rei e a Rainha, em trajes majestosos, debaixo da ampla umbela de seda encarnada com franjas douradas. Empunhavam os cetros, vestiam longos mantos, e tinham cabeças coroadas. Na retaguarda do préstito, os atabaques, as marimbas, os congás, os pandeiros, as buzinas… As canções que todos entoavam eram ordinariamente nostálgicas, como uma ancestral saudade da terra de berço, ficada tão distante. Costumavam também cantar assim:

Bravos, Ioio! Maracatu Já chegou.
Bravos, Iaia! Maracatu vai passar.

Uma das mulheres empunhava uma grande boneca de pano toda engalanada de fitas, e repetia numa toada dolente:

A boneca é de seda…
A boneca é de seda…

Os maracatus paravam em frente às casas dos protetores e ali dançavam durante alguns minutos. Antigamente licenciavam-se dezenas deles e apresentavam-se com verdadeiro luxo. Nas sedes havia demoradas festas, com danças e batuques, a que assistiam os soberanos sob um docel de veludo. Todos os negros da costa, tão comuns no Recife de ontem, aqueles mesmos que se reuniam , também, religiosamente, na Igreja do Rosário, lá se achavam para tomar parte no toques. O maracatu hoje escasseia e já não tem mais o esplendor de antes. Em menino eu tinha medo dos maracatus. Medo e como uma espécie de piedade intraduzível. Aqueles passos de dança, aqueles trajes esquisitos, aqueles cantos dolentes, me davam uma agonia…Eu me encolhia todo, juntando-me à saia de chita de minha mãe preta, com receio talvez de que os negros do maracatu a levassem também. E eu não sabia ainda ser o maracatu uma saudade…Hoje é que a compreendo, que a sinto, recordando os maracatus de minha infância e de minha terra, vendo os carnavais de outras cidades e de outra época… Parece-me perceber ainda o batuque longínquo, cada vez mais remoto, cada vez mais indeciso, quando, na alta noite da terça-feira, no silêncio e na tristeza do Carnaval acabado, o derradeiro maracatu se recolhia à sede…

Bum…bum…bum…bum…
Bum…bum…bum…bum…

E lá se ia, como se foi, o meu maracatu de menino…

FONTE: Mário Sette (1886 – 1950) Maxambombas e Maracatus
http://www.riomaracatu.com/maracatus1.htm

A Calunga de Angola nos Maracatus do Recife

O Embaixador Alberto da Costa e Silva, que por muitos anos serviu na Embaixada do Brasil em Lisboa, entregou recentemente ao público ledor da língua portuguesa o seu mais recente livro: A Enxada e a Lança – A África antes dos portugueses (Rio, Nova Fronteira, 1992).
Um verdadeiro tratado sobre o continente africano. Todas as suas etnias antes dos Descobrimentos, aparecem aos olhos do leitor interessado em tão fascinantes temas, hoje presentes em nosso mundo contemporâneo. Nas suas 768 páginas, o livro estuda cada uma das regiões com os seus respectivos costumes, lendas e tradições, bem como os vários povos que ali habitavam.
De especial interesse para nós, que há tantos anos estudamos a Instituição dos Reis do Congo e sua presença nos maracatus do Recife, é a forte influência do culto da Calunga entre os ambundos de Angola, guardada como objeto sagrado e poderoso pelos cabeças de certas linhagens; in Estudos sobre a Escravidão Negra v.2. Recife, Editora Massangana, 1988.

CALUNGA DE ANGOLA

Como explica o erudito Alberto da Costa e Silva: “Segundo a lenda, o herói civilizador ambundo, Angola Inene, teria trazido de terras do nordeste ou, conforme outras versões, do mar, as lungas (ou malunga, que é plural em quimbundo da palavra). Esta última origem seria o resultado de interpolação européia, do traduzir equivocado de Calunga, ‘as grandes águas’, por oceano Atlântico, e contrasta com o papel agrário da escultura de madeira, ligada aos ritos de chamar a chuva e da fertilidade. As ‘grandes águas’ podem ter sido um dos afluentes do Zaire ou qualquer outro lago ou rio. Os europeus além disso, interpretaram Calunga como uma alta divindade e talvez tenham contagiado com este novo conceito as crenças ambundas. (…) A Calunga tornou-se assim, e desde há bastante tempo – a contar do fim do século XIII? -, fonte de poder político e de uma organização social fundada na terra, num sítio preciso, e não apenas na estrutura de parentesco. Muito embora tenha sido depois suplantada, em quase toda parte, por novos símbolos da centralização estatal, persistiu como emblema dominante no baixo Lui e ligada ao nome de numerosos ancestrais e fundadores de reinos, bem como aos títulos de vários sobas. Entre os cubas houve um Calunga; Calala Ilunga foi o herói civilizador dos lubas; os quiocos possuem um Calunga entre os seus maiores; os povos do sul do lago Maláuu dizem que Calunga lhes trouxe as novas instituições; a palavra aplica-se entre os lundas, ao senhor, ao chefe, ao rei, e, entre os congos, era, a um só tempo, o título mais comum dos quitomes, uma grande extensão de água e a vasta corrente mítica a separar as duas montanhas que formavam o mundo dos vivos e o mundo dos mortos. A boneca, com o seu nome, atravesssou o Atlântico e sobrevive nos maracatus brasileiros”.
“Cada lunga vivia num determinado curso d’água. E era guardada por uma linhagem, cujo chefe conhecia o segredo da comunicação com as forças espirituais que a boneca continha. Essa linhagem sobrepunha-se às demais e seu cabeça possuía autoridade territorial sobre toda a área banhada pelo riacho ou pedaço de rio onde morava a lunga. Era ele quem alocava as terras a novas famílias que para ali quisessem mudar-se e, paulatinamente, senhor das chuvas e da fertilidade da terra, passou a receber tributos e a concentrar riqueza e poder. Estabeleceu-se também uma hierarquia entre os vários guardiães de calungas: o custódio da estatueta do rio principal era mais importante do que o dos riachos tributários, a graduação da autoridade fazendo-se conforme a hidrografia”.

CALUNGA DO RECIFE

No Recife a Calunga, também chamada de boneca, se liga ao cortejo das nações africanas, do qual se originou o nosso maracatu a partir da primeira metade do século XIX, segundo esclarece a mesma fonte: “Mantendo-se em segredo, os vínculos entre grupos ambundos, num segredo auxiliado pela ignorância dos senhores de escravos, tinham os chefes vendidos [escravos] de mostrar a fonte do seu poder – e já agora também penhor de unidade do grupo ao Brasil – , a calunga”.
Até os nossos dias a Calunga faz parte do ritual do maracatu, encarnando nos seus axés a força dos antepassados do grupo. Em sua honra são cantadas, ainda dentro da sede, as primeiras loas, quando a Calunga é retirada do altar pela dama-do-paço e passa às mãos da rainha, que a entrega à baiana mais próxima e assim se sucede, de mão em mão até retornar novamente às mãos da soberana.
No Maracatu Elefante, pesquisando entre 1949-52 pelo musicólogo Guerra Peixe, três calungas se destacavam: Dona Emília, Dom Luis e Dona Leopoldina.
Para a calunga “Dona Emília” eram dedicadas as maiores atenções. A ela era entoada a primeira toada, referida acima, na cerimônia também denominada de “a dança da boneca”, “a ela também eram consagrados os cânticos mais fortes: é essa principal boneca levada à porta da igreja de Nossa Senhora do Rosário; com ela o Maracatu Elefante dança diante dos terreiros (de xangô) visitados. É nas canções oferecidas a Dona Emília que os músicos executam o ritmo de Luanda – o toque ‘para salvar os mortos’ ou eguns”; in Maracatus do Recife.
“Dom Luís”, segundo Guerra Peixe, representa “um rei africano”, sendo por isso considerado como “Rei do Congo” pelos membros do grupo; numa clara referência aos primórdios do folguedo, coincidindo com a crença de que os poderes da Calunga estariam ligados aos seus ancestrais africanos, como bem enfoca esta loa:

“A bandêra é brasilêra
Nosso reis veio de Luanda
Ôi, viva Dona Emília
Princesa Pernambucana”

Com a morte de Dona Santa (Maria Júlia do Nascimento), Rainha do Maracatu Elefante, em 1962, a original Nação do Elefante deixou de desfilar, e suas três calungas, juntamente com outros pertences, estão hoje recolhidos ao Museu do Homem do Nordeste da Fundação Joaquim Nabuco, no Recife.
Naquele ambiente convencional de museu, restam as lembranças daquela boneca que, empunhada pela dama-do-paço vinha às ruas do Recife mostrar a força da nação do Elefante ao som dessas loas:

“Princesa Dona Emília
Pra onde vai? – Vou passeá
Eu vou para Luanda
Vou quebrar saramuná.

Eu vou, eu vou
Eu vou para machá
Eu vou para Luanda
Vou quebrá saramuná

A boneca é de sê!
É de seda e madeira
A boneca é de sê!
É de seda e madeira.
A boneca é de sê!
É de seda e madeira.”

FONTE:http://www.riomaracatu.com/maracatus2.htm
Leonardo Dantas Silva

O BAQUE VIRADO DO MARACATU

Os maracatus ou nações, como preferem alguns autores, são parte da mais pura cultura popular pernambucana. Desfilam ritmo e realeza nos carnavais do Recife, descendendo das reuniões de negros escravos, ou não, do século passado. Quem nunca ouviu falar do folguedo nos carnavais recifences ou na cidade de Olinda?
Em Pernambuco, destacamos a existência de dois tipos de maracatu. O de baque virado, com seus reis e rainhas, e o rural, aquele com os tradicionais caboclos de lança e seus chocalhos. Este último também é chamado de maracatu de “baque solto”, ou de “orquestra”, mas que abordaremos numa outra ocasião. Durante as festividades de Carnaval, não é difícil encontrar um maracatu de baque virado e seus integrantes vestidos como nobres da corte, enquanto os tambores soam alto e forte fazendo vibrar as sacadas e igrejas do centro da cidade.
O foclorista, Roberto Benjamim, frisa em seu livro Folguedos e danças que maracatu (nação africana) é um manifestação criada pelos negros do Brasil – não existe na África nada parecido. Sua origem está nas festividades católicas de Reis Negros, influenciada pelos cultos afro-brasileiros. “Esta ligação é tão forte que o maracatu tem sido tomado como uma expressão religiosa. Na verdade, é uma manifestação lúcida, dos grupos religiosos de culto gegê-nagô do Recife”, diz .
Estas manifestações tiveram origem nas celebrações de coroação dos chamados Reis do Congo. As festividades, constantes nos arquivos da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Outros grupos fazem referência à santa em seus cânticos folclóricos. O maracatu permitiu aos negros viverem seus momentos de glória e vestirem-se como em uma corte real portuguesa, no Brasil. Recordando os longínquos momentos de liberdade.

TRADIÇÃO – As marcas das tradições africanas estão incorporadas e presentes nas apresentações. Assim como as características das religiões afro-brasileiras, que com o fim da escravatura, passaram a concorrer com o catolicismo. Isso provocou, novamente, a perseguição destes cultos. O Estado Novo veio para tentar dar o golpe de misericórdia no maracatu.
A tradição conseguiu ser mantida com dificuldade. Para a escritora Katarina Real, o enfraquecimento das nações se deve principalmente ao desmoronamento do orgulho de uma cultura africana e o fim do matriarcado afro-brasileiro. A principal personagem das nações é a rainha. Fazem parte do desfile, ainda, o Rei e toda sua corte, seguidos pelos batidas percussivas dos músicos. “O maracatu de baque virado, Estrela Brilhante, possui 40 músicos”, afirma um dos organizadores da agremiação lá do bairro da Mangabeira, Seu Jair. Desta forma, ainda podemos encontrar nos carnavais da cidade os tradicionais maracatus-nação, em manutenção à cultura negra brasileira. Hoje, os movimentos de cultura popular estão conseguindo respirar e, a duras penas, conseguem colocar suas agremiações na rua.

PERSONAGENS, INSTRUMENTOS E ADEREÇOS

1. PERSONAGENS:

REIS
RAINHA – sempre negra
PRÍNCIPE
PRINCESA
DAMAS DO PAÇO (duas) ou DA BONECA – conduzem a boneca
DAMAS DO BUQUÊ (em número variado) – portam
ramalhetes de flores artificiais. DAMAS DA CORTE – conduzem taças
EMBAIXADOR (em algumas agremiações pode ser o porta-estandarte – no Maracatu ESTRELA BRILHANTE, são personagens distintos. O embaixador faz parte da corte) – veste-se como nobre da corte de Luís XV
PORTA-ESTANDARTE
PAGENS – seguram as caldas dos mantos reais.
ESCRAVO – conduz o pálio, aquele enorme chapéu de sol que proteje o rei e a rainha.
LANCEIROS – formam uma guarda, desfilam em cordões laterais, fechando externamente o grupo.
BAIANAS – vestidas do moda tradicional das baianas. Traje ritual das filhas de santo.
ORQUESTRA – composta unicamente de percussão.
CABOCLO DE PENA – o índio aparece em algumas nações. Tem como função servir de guia e proteção à nação africana.

2. INSTRUMENTOS DA PERCUSSÃO:

MINEIROS
GONGUÊS
TARÓIS
CAIXAS DE GUERRA
BOMBOS

3. ADEREÇOS:

ESTANDARTE – com forma e bordados semelhantes aos das irmandades católicas.
SÍMBOLO – figura em massa em papier-machê. Se muito grandes são carregadas em carroças.
BONECAS – tradicionalmente em madeira. Outros materiais vêm sendo usados nos menos tradicionais.
Traje semelhante ao da dama que a conduz.
COROA – rei e rainha desfilam coroados. Em geral, em latão ou arame a pedras.
DIADEMA – a princesa e algumas damas usam diademas adornados com pedras.
CETROS – rei, rainha, príncipe e princesa usam cetros, trabalhados em madeira ou latão.
ESPADAS E ESPADINS – rei, rainha, príncipe e princesa conduzem espadas ou espadins, em latão dourado ou prateado de tamanhos variados.
MANTOS – rei, rainha, príncipe e princesa e, algumas vezes, a boneca usam mantos.
BUQUÊ – algumas damas usam ramalhetes de flores de pano, papel ou plástico.
TAÇAS – prêmios de anos anteriores, levados pelas damas da corte.
UMBRELA ou PÁLIO – guarda-sol enfeitado por babados e franjas e que protege o rei e a rainha durante o cortejo.
LAMPIÕES – luminárias a gás de carbureto ou velas, necessários ao tempo em que o maracatu desfilava em ruas sem iluminação.
LANÇAS – varas em forma de lança medindo cerca de dois metros, conduzidas pelos lanceiros.

ORIGEM DO FOLGUEDO

A época em que surgiu o maracatu permanece sem uma definição. Apenas a data de 1808 é comprovada e documentada como a mais antiga referência do cortejo. Esta data, entretanto, não estabelece, nem é tida como a da origem da manifestação. É que o viajante Henry Coster, passou pela ilha de Itamaracá no início do século passado e registrou o espetáculo do rei do Congo e sua inigualável beleza. Portanto, quando foi que apareceu pela primeira vez, ninguém sabe ao certo. Sabe-se, porém, que há tempo, quando os escravos ou não eram tidos como animais nas terras brasileiras e ansiavam por liberdade, a sociedade da época precisava contê-los. Para isso, os negros escolhiam um representante que seria encarregado de liderá-los. Este era chamado de o rei da nação africana: o Rei do Congo.
Esta instituição existiu em todo o Brasil Colonial. Possuía o consentimento da igreja católica e dos senhores de escravos, que pretendiam evitar as rebeliões concedendo privilégios aos reis. A idéia possibilitou na verdade uma resistência cultural dos negros em pleno período de repressão da raça. Precisavam lutar pela sua sobrevivência e muitos fugiam. Desta forma, os quilombos foram sendo fundados. Os Reis do Congo eram escolhidos numa bela cerimônia que acontecia nos pátios de igrejas católicas, ligada a Irmandade de Nossa senhora do Rosário e ao culto de São Benedito. Os maracatus e afoxés nasceram da união destas cerimônias às tradições africanas. Com o fim dos Reis do Congo, a população negra continuou celebrando a coroação através da dança e da encenação. O baque virado das alfaias venceu o tempo e os negros vestidos como numa corte real mativeram vivas suas tradições e sua cultura.

FONTE: http://www.riomaracatu.com/maracatus3.htm
Cézar Maia

O Vocabulário dos Maracatus

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Aqui estão algumas explicações sobre o sentido e o significado de algumas palavras, vale lembrar que esta é uma questão delicada e as vezes existem várias leituras sobre a mesma palavra ou termo.

Cabinda (ou cambinda)

1. Cabinda ou cambinda foi a denominação inicial do Maracatu. Uma de suas antigas toadas afirmava: “Porto Rico é a nação brasileira!”. Aludia às antigas povoações africanas: Porto Rico, em Santo Antonio do Zaire, e Porto Rico em Cabinda.

[fonte: Dicionário do Folclore Brasileiro]

Calunga do Recife

1. Até os nossos dias a Calunga faz parte do ritual do maracatu, encarnando nos seus axés a força dos antepassados do grupo. Em sua honra são cantadas, ainda dentro da sede, as primeiras loas, quando a Calunga é retirada do altar pela dama-do-paço e passa às mãos da rainha, que a entrega à baiana mais próxima e assim se sucede, de mão em mão até retornar novamente às mãos da soberana.
No Maracatu Elefante, pesquisando entre 1949-52 pelo musicólogo Guerra Peixe, três calungas se destacavam: Dona Emília, Dom Luis e Dona Leopoldina.

[fonte: Fundação Joaquim Nabuco. http://www.fundaj.gov.br/]

2. Boneca de pano, madeira, osso, metal; desenho representando a forma humana ou animal.

[fonte: Dicionário do Folclore Brasileiro]

Dama do Paço

Chamam a Dama do Paço, quando esta carrega apenas uma boneca, um calunga, e vai dançando e saudando com a boneca, pedindo, mundamente dinheiro.

[fonte: Dicionário do Folclore Brasileiro]

Saramuná

1. Parece querer dizer requebrar, dançar.

2. Seria um coquinho muito comum no nordeste mas praticamente desconhecido em outras regiões brasileiras.

3. Parece querer dizer reza forte, proteção, uma prática que se faz a fim de se tirar mal olhado e proteger o baque de qualquer possível agrura.

4. Viria de uma corruptela do nome do peixe Saramunete e o correto seria “eu vou para Luanda, vou pescar saramuná

[Fonte: Glossário Maracatu Lua Nova.

CRÉDITOS
ANALU

TIPOS DE MARACATU 2

FORMAÇÃO
o Maracatu de Baque Virado ou Nação, tem como seguidores os devotos dos Cultos Afro-brasileiro da linha Nagô. A boneca usada nos cortejos chama-se Calunga, ela encarna a divindade dos orixás, recebendo em sua cabeça os axés e a veneração do grupo. A música vocal denomina-se toadas e inclui versos com procedência africana. Seu início e fim são determinados pelo som de um apito. O tirador de loas é o cantador das toadas, que os integrantes respondem ou repetem ao seu comando. O instrumental, cuja execução se denomina toque, é constituído pelo gonguê, tarol, caixa de guerra e zabumbas.
PERSONAGENS É formado pelas seguintes figuras: rei, rainha, dama-de-honra da rainha, dama-de-honra do rei, príncipe, princesa, ministro, embaixador, duque, duquesa, conde, condessa, vassalos, damas-de-paço (que portam as calungas durante o desfile do maracatu), porta-estandarte, escravo sustentando a umbrela ou pálio (chapéu-de-sol que protege o casal real e que esta sempre em movimento), figuras de animais, guarda-coroa, corneteiro, baliza, secretário, lanceiros, brasabundo (uma espécie de guarda costa do grupo), batuqueiros (percurssionistas), caboclos de pena e baianas.
MARACATUS DE BAQUE VIRADO OU NAÇÃO
Nação Elefante – fundado em 1800Nação Leão Coroado – fundado em 1863Nação Estrela Brilhante – fundado em 1910Nação Indiano – fundado em 1949Nação Porto Rico do Oriente – fundado em 1967
Estes são alguns Maracatus de Nação em plena atividade no carnaval de Pernambuco=.
NOITE DOS TAMBORES SILENCIOSOS
É a reunião dos Maracatus de Tradição de Baque Virado ou Nação, em frente a Igreja do Terço, no Pátio do mesmo nome. A meia noite, a um sinal os tambores param, o silêncio por si só já reverencia o momento. E, de repente, se ouve uma voz lamuriosa tirar loas em louvor a rainha dos negros NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO.
Em meio ao contagiante movimento das místicas figuras, o povo vai envolvendo-se nos passos marcados pelos tambores a atabaques. Esta tradição data mais de três séculos, tem em nossos dias o calor e as cores vivas de outrora.
A origem desse ritual se encontra encravado nos idos do período colonial. Distante da terra natal, os negros pediam a proteção de NOSSA SENHORA na tentativa desesperada de amenizar as dores do cativeiro cruel.
A cerimônia ritualística da NOITE DOS TAMBORES SILENCIOSOS sempre acontece na segunda-feira de carnaval, a partir das vinte e três horas, na Igreja do Pátio do Terço, no bairro de São José, no Recife.

MARACATU NAÇÃO PERNAMBUCO
Surge em Pernambuco uma nova geração de maracatu. Foi fundado no dia 15 de dezembro de 1989, numa festa organizada no Clube Vassourinhas de Olinda, com o objetivo de difundir o maracatu. O Nação Pernambuco é atualmente o grupo cultural de maior projeção no Estado. O Grupo gravou vários discos, os quais contendo apenas músicas de maracatu, sendo os únicos no mundo. Divulgam e resgatam a história da cultura pernambucana dentro e fora do Brasil.
Apresentam-se durante todo ano, no segundo domingo de cada mês, com grupos convidados, no Mercado Popular Eufrásio Barbosa no bairro do Varadouro na entrada da cidade de Olinda.

MARACATU DE BAQUE SOLTO OU RURAL

HISTÓRICO

Ao contrário dos Maracatus de Baque Virado ou Nação, que têm suas origens em cortejos de reis africanos, o Maracatu de Baque Solto, também chamado de Maracatu de Orquestra ou Rural, tem suas origens na segunda metade do século passado e deve ser uma transfiguração dos grupos chamados Cambindas (brincadeira masculina, homens travestidos de mulher). Os Maracatus de Baque Solto são uma espécie de fusão de elementos dos vários folguedos populares, que vêm às ruas das cidades próximas aos engenhos de açúcar como: Goiana, Nazaré da Mata, Carpina, Palmares, Timbaúba, Vicência, etc., durante o carnaval, com características e colorido próprio, garantindo sempre a presença nos carnavais do Recife. O cortejo do Maracatu de Baque Solto, diferencia-se primeiramente do maracatu tradicional, pela ausência do rei e da rainha.

FORMAÇÃO

Um ritmo rápido de chocalhos, percussão unissonora e acelerada do surdo, acompanhada da marcação do tarol, do ronco da cuíca, da batida cadenciada do gonguê, do barulho característico dos ganzás, um solo de trombone, e outros instrumentos de sopro que, juntos, dão ao conjunto características musicais próprias e bem diferenciadas dos maracatus tradicionais. O maracatu desfila num círculo compacto, tendo ao centro o estandarte, rodeado por baianas, damas-de-buquê com ramos de flores de goma, boneca (calunga) de pano ou plástico e caboclos de pena. Rodeando este primeiro círculo vem os caboclos de lança, que se encarregam de abrir espaço na multidão, com seus saltos e malabarismos, com as compridas lanças, como a proteger o grupo e as lanternas de papel celofane que, geralmente vem representando o símbolo da agremiação

PERSONAGEM PRINCIPAL

Com suas lanças de mais de dois metros de comprimento, feitas de madeira com uma ponta fina e uma enorme cabeleira de papel celofane cobrindo o chapéu-de-palha, o rosto tingido de urucum ou por outras tintas, lenço estampado cobrindo a testa, camisas e calças de chitão, meiões e sapatos de lona, o Caboclo de lança tem o destaque de sua indumentária na gola bordada e no surrão. A gola de sua fantasia, feita em tecido brilhante, de cores vivas, é totalmente rebordada com vidrilhos e lantejoulas. A gola representa o maior orgulho e a vaidade do caboclo de lança, sendo quase sempre confeccionado por sua companheira, durante.

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Maracatu_Nação
http://www.terrabrasileira.net/folclore/regioes/5ritmos/marural.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Maracatu_Rural

O QUE É MARACATU ?

MARACATU DE BAQUE VIRADO

Também conhecido como “Nação”, mantém em seu desfile o cortejo real, muito próximo daquele outrora apresentado pela escravaria africana, no período colonial, para homenagear a coroação do Rei do Congo.

A presença do Maracatu de Baque Virado é mais marcante na área urbana, mais precisamente na capital. Antigamente, suas apresentações aconteciam no pátio das igrejas de Recife, Olinda e Itamaracá, promovidas pelas irmandades de Nossa Snehora do Rosário dos Pretos e São Benedito.

Com o passar do tempo, o cortejo foi evoluindo e desgarrando-se dos festejos dos Reis Magos, entrando para os festejos carnavalescos, onde hoje figura como peça importante do carnaval pernambucano.

O Maracatu até então conhecido como “Nação” passou a receber a designação de Baque Virado para diferenciá-lo da variante que surgia: o Maracatu de Baque Solto. As gentes das nações eram de origem africana, devotos dos cultos afro-brasileiros. Veneravam a Calunga (boneca) espécie de divindade muito respeitada no sincretismo religioso. Cantavam loas (toadas) para seus mortos (eguns), nas quais incluiam versos de procedência africana. As toadas cantadas pelo puxador sõa respondidas ou repetidas pelas baianas e demais integrantes do grupo.

O som de um apito determina o início e o fim de uma toada. O instrumental do Maracatu de Baque Virado é exclusivamente de percussão. O Gonguê, o tarol, a caixa de guerra e as alfaias complementam-no e dão ao cortejo como que um caráter de encontro místico entre os seus participantes. A dança mantém as origens africanas.

A exibição do cortejo dá-se de maneira ordenada: na frente vêm as Damas de Paço, que portam as Calungas durante o desfile.

Depois, protegidos por um Pálio (espécie de guarda-sol), vêm o Rei e a Rainha, cada um com sua Dama de Honra, seguindo-se o Príncipe e a Princesa, o Ministro, o Embaixador, o Duque e a Duquesa, o Conde e a Condessa, o Conselheiro, os soldados, os vassalos, as baianas, os lanceiros e a Porta-Bandeira. Seguem o cortejo ainda, o Guarda-Coroa, o Corneteiro, a Baliza, o Secretário, os Batuqueiros e os Caboclos de Pena.

MARACATU DE BAQUE SOLTO OU MARACATU RURAL

Nasceu da fusão de vários folguedos populares que existiam sobretudo nos engenhos de cana-de-açúcar da Zona da Mata Norte de Pernambuco, principalmente em Nazaré da Mata, que nessa época era um importante centro cultural e econômico do estado.

Ao contrário do Maracatu de Baque Virado, o Maractu de Baque Solto, provavelmente tem suas origens nas Cambindas, que eram brincadeiras de grupos masculinos, trajando roupas femininas.

Vivendo basicamente do corte da cana-de-açúcar ou de subemprego, os brincantes desse folguedo dão um verdadeiro exemplo de resistência, quando, com todas as dificuldades e total desamparo, conseguem manter viva a tradição e acesa a chama de sua arte.

Esses homens fortes, ajudados por suas famílias confeccionavam suas próprias fantasias, verdadeiras obras de arte bordadas em vidrilhos, canutilhos e lantejoulas.

Na verdade, cada um deles se doa de corpo e alma, a esse brinquedo. A recompensa é a alegria de ser um brincante, divertir e emocionar.

A orquestra que acompanha o Maracatu de Baque Solto é formada por instrumentos de percussão e sopro, dentro os quais o trombone. A música é a marcha, executada em quatro, seis e dez linhas rítmicas, enquanto o Maracatu Nação tem uma música entoada, que se aproxima do toque do Xangô e do Camdomblé.

A principal figura do grupo é o “Mestre”, que puxa as toadas, ao mesmo tempo em que a orquestra silencia.

Seus personagens são: o Mestre, Mateus, Bastião, Catirina, Baianas, a Dama de Paço, Bandeiristas, Burra, Caçadores, Caboclos de Pena e Caboclos de Lança.

BIBLIOGRAFIA

Secretria de cultura de Pernambuco “Espetáculos Populares de Pernambuco”.
Karina de Melo Soares, Sandra de Deus, Alba Cristina de Albuquerque Moreira

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