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TOADAS DA NAÇÃO ESTRELA BRILHANTE DE RECIFE

Nação Estrela Brilhante de Recife

1)
Cheguei meu povo, cheguei pra vadiar
Cheguei meu povo, cheguei pra vadiar

Sou eu a Nação Estrela
não prometo pra faltar

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2)
Sou estrela do mar
Eu vivo a navegar
Eu sou!

Na ilusão do horizonte
Sou eu a estrela mais linda que há

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3)
Olha a Costa Velha é Nagô Afã
Estrela Brilhante é Nação Germana

Vejo um quê na estela, tem um brilho sem igual
Uma luz tão fagueira ilumina a corte real

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4)
Os tambores acariciam a noite
Sinhá Marivalda acordou
E o estandarte do Estrela chegou

Ôoo ôo ôoo

Bravos guerreiros que dançam com ira da dor
Luz nas escadarias do morro
O estandarte do Estrela chegou

Salve o rei, salve a rainha
do Morro da Conceição!

Eles descem o morro de branco
pra sambar maracatu

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5)
Dança a rainha, vassalo e escravo
Todos os lanceiros e a corte real
Toque o batuque no baque virado
Dama de paço escute o compasso

Vem meu rei, embaixador e princesa também
Catirina olha o baque zuando
É o Estrela que já vem chegando

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6)
Levante a bandeira que o mestre apitou
Com dama de paço o Estrela chegou

Chegou, chegou

Com baque parada e baque trovão
Com dama de paço escuta o refrão

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7)
Quando os nossos tambores zoou
E a dama de paço girou
Meu estandarte brilhou
Porque sou Nação Nagô

Vem Nação Estrela Brilhante cantar
Bate forte os nossos tambores
Rufa a caixa, mineiro e ganzá
Joventina Erundina não deixa o tambor se calar

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8)
Vovó falou e o Barão assinou
Vovó falou e o Barão assinou
Estrela Brilhante é Nação Nagô
Estrela Brilhante é Nação Nagô

Na marcação das alfaias
no tilintar do gonguê
no xiquexá das maracas
na marcação do agbê

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9)
Toque o gonguê, balance o ganzá
É no baque virado que o Estrela vai passar

Cante sinhá, toque sinhô
Sou afro-africano e também Nação Nagô

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10)
Mandei fazer uma casa com a janela voltada para mar
Para Dona Joventina, rainha de Portugal

Mandei fazer uma casa com a janela voltada para
Para Dona Erundina, rainha de Portugal

Quem foi que disse que o Estrela não saía?
O Estrela sai à rua com prazer e alegria!

Nesse beco escuro rodado a espinho (?)
Estrela Brilhante que vem no caminho!

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11)

Foi na Virgem do Rosário
que os nossos tambores zoou

Zoou, zoou
Marivalda, a rainha, ela já se coroou

Canta minha nação, brilha o meu pavilhão
É no som dos tambores que Estrela é Nação Nagô

Canta toda nação, brilha o meu pavilhão
É no som dos tambores que Estrela é Nação Nagô

TOADAS DA NAÇÃO ESTRELA BRILHANTE DE IGARASSU

Estandarte da Nçaõa Estrela Brilhante de Igarassu

Estandarte da Nçaõa Estrela Brilhante de Igarassu



Cambinda

Eu sou da cambinda, cambinda,
Cambinda de valor
Eu quero é louvor a boneca,
A boneca do meu amor.

A boneca do maracatu,
Eu quero ver, quero ver.
A boneca do maracatu,
Mas só quem sabe é você,
Só quem sabe é você.

Dou boa noite

Dou boa noite,
Senhor Rei, senhora rainha,
Batuqueiro, baianinha,
Vamos juntos festejar.

O nosso baque,
Ele é o triunfante,
Salve a Estrela Brilhante,
Está em primeiro lugar.

Sr. tocador

Senhor tocador me amostre o sinal,
Uma estrela para nos guiar.

Vem de Aruanda,
Nosso rei mandou chamar,
Onde vai, Dona Emilia,
O lê lê, ca busquei,
O que vem ca busca.

Aruanda lê lê

Aruanda lê lê, Aruanda lá lá,
Aruanda lê lê, Aruanda lá lá,
Aruanda é que vem da tenda,
é que vem da tenda, É de tá tarará
Aruanda é que vem da tenda,
é que vem da tenda, é dita tarará

Meu bisavô

O meu bisavô,
Deu uma ordem só,
Sustenta a pisada,
Do trovão maior.

Auto da Conceição

Oh vem de uma Nação,
Pelo Auto da Conceição,
Nos viemos dar louvor,
Aos santos Cosme e Damião.

Para onde vai, catita,
Para onde vai eu vou,
Para o Rosário,
eu vou quebrar saramuná.

Nosso Rei

Nosso Rei pediu,
Licença a São João,
Para coroar, oh cambinda,
Nossa Nação.

A nosso Nação,
Já é coroada,
Salve o pavilhão, oh cambinda,
É estrela dourada.

O Vocabulário dos Maracatus

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Aqui estão algumas explicações sobre o sentido e o significado de algumas palavras, vale lembrar que esta é uma questão delicada e as vezes existem várias leituras sobre a mesma palavra ou termo.

Cabinda (ou cambinda)

1. Cabinda ou cambinda foi a denominação inicial do Maracatu. Uma de suas antigas toadas afirmava: “Porto Rico é a nação brasileira!”. Aludia às antigas povoações africanas: Porto Rico, em Santo Antonio do Zaire, e Porto Rico em Cabinda.

[fonte: Dicionário do Folclore Brasileiro]

Calunga do Recife

1. Até os nossos dias a Calunga faz parte do ritual do maracatu, encarnando nos seus axés a força dos antepassados do grupo. Em sua honra são cantadas, ainda dentro da sede, as primeiras loas, quando a Calunga é retirada do altar pela dama-do-paço e passa às mãos da rainha, que a entrega à baiana mais próxima e assim se sucede, de mão em mão até retornar novamente às mãos da soberana.
No Maracatu Elefante, pesquisando entre 1949-52 pelo musicólogo Guerra Peixe, três calungas se destacavam: Dona Emília, Dom Luis e Dona Leopoldina.

[fonte: Fundação Joaquim Nabuco. http://www.fundaj.gov.br/]

2. Boneca de pano, madeira, osso, metal; desenho representando a forma humana ou animal.

[fonte: Dicionário do Folclore Brasileiro]

Dama do Paço

Chamam a Dama do Paço, quando esta carrega apenas uma boneca, um calunga, e vai dançando e saudando com a boneca, pedindo, mundamente dinheiro.

[fonte: Dicionário do Folclore Brasileiro]

Saramuná

1. Parece querer dizer requebrar, dançar.

2. Seria um coquinho muito comum no nordeste mas praticamente desconhecido em outras regiões brasileiras.

3. Parece querer dizer reza forte, proteção, uma prática que se faz a fim de se tirar mal olhado e proteger o baque de qualquer possível agrura.

4. Viria de uma corruptela do nome do peixe Saramunete e o correto seria “eu vou para Luanda, vou pescar saramuná

[Fonte: Glossário Maracatu Lua Nova.

CRÉDITOS
ANALU

COMO SURGIU O MARACATU?

Algumas versões

1) O Historiador Leonardo Dantas Silva discorre sobre Maracatu Nação-“Na realidade,o que existia era o cortejo do rei,o cortejo do Rei do Congo,o cortejo do Rei de Angola,o cortejo do Rei de Cabinda.O maracatu na realidade era o ponto onde se realizavam os batuques. É como aquela história de forró: forró não é um gênero musical, mas o local onde as coisas acontecem.Gafieira não é 1 gênero musical,é o local onde as coisas acontecem,um baile popular.O forró é um baile popular e no baile tem xaxado,baião,tem xote.Então o maracatu era o local onde aconteciam os batuques dos negros,as reuniões de negros eram chamadas “maracatu”. Tanto é que a primeira notícia em que se fala[de maracatu]é sobre o Maracatu dos Coqueiros,não é uma agremiação,é o local onde se reuniam os negros.ex:A escrava [foragida] Catarina foi vista no Maracatu dos Coqueiros,freqüenta o Maracatu dos Coqueiros.
A[transição do Cortejo do Rei do Congo ao Maracatu]acontece a partir do momento que vem a abolição da escravatura,então a função do Rei do Congo desaparece, não tem razão de ser.O Rei do Congo era um auxiliar da autoridade policial, ele era autoridade intermediária entre o poder do estado e as nações africanas. Todas as nações deviam obediência ao Rei do Congo.Pouco antes da proclamação da república morre o último Rei do Congo da paróquia de Santo Antônio, que era Antônio de Oliveira.Quando ele morre não tem mais sucessor.Nesse momento, quem é que passa a ser o líder daquele grupo?O líder daquele grupo é o líder espiritual, então começa a liderança dos líderes do culto Nagô. Esses mantiveram o cortejo como uma forma de sair no carnaval. Quando o cortejo vinha às ruas com aquela percussão, que os jornais criticavam muito, eles chamavam maracatu,pois aquela percussão era semelhante [a outros batuques dos negros].Foi a imprensa que denominou o cortejo de “maracatu”.

FONTE:http://www.overmundo.com.br

2)Breve histórico sobre o Maracatu de Baque Virado Pernambucano

Por Aline Valentim

O maracatu é uma manifestação da cultura popular pernambucana que tem suas origens no séc. XVII. Neste momento foi criada a Instituição Mestra através da qual a Coroa Portuguesa ‘autorizava’ os negros, escravos ou libertos, a elegerem seus reis e rainhas. A cerimônia de coroação acontecia no dia de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos em frente as Igrejas, sendo presidida por um pároco indicado pela coroa. O maracatu era então designado como Nação, isso porque a escolha dos reis era feita de acordo com as diferentes etnias africanas trazidas ao Brasil.
Vale ressaltar que alguns pesquisadores identificam também outras manifestações populares como a Congada mineira e o Afoxé baiano como tendo sua origem relacionada á Instituição Mestra, também conhecida com Instituição do Rei do Congo, já que esta teria vigorado por todo o território nacional.
Apesar de todo vínculo com a tradição católica, o maracatu sempre foi e ainda é uma manifestação essencialmente negra, mas, assim como outras manifestações afro-brasileiras acabou se sincretizando em alguns aspectos para manter-se viva. E é, exatamente neste estado, que encontramos os maracatus de Recife hoje: vivos. Existindo e resistindo enquanto expressão cultural ao mesmo tempo tradicional e dinâmica, num constante processo de transformação.

Atualmente, o maracatu de nação ou de baque virado, como é conhecido em oposição ao maracatu de baque solto, é uma bela festa popular característica do carnaval pernambucano. Representação de uma corte real, ricamente paramentada com vestimentas ao estilo Luís XV, aonde se vêem muitos elementos de importante simbologia e singularidade visual como é o caso da calunga: boneca usualmente feita de cera e madeira que representa um importante ancestral da nação, sendo também associada á proteção espiritual. Esta boneca é carregada por uma importante figura da corte chamada ‘Dama-do-paço’.
Além dessas e do rei e rainha, existem ainda outros personagens importantes na corte como os príncipes e princesas, barões e baronesa, embaixador e embaixatriz… As catirinas, assim como os lanceiros, representam os vassalos que, com seu bailado, circulam a corte real, protegendo-a. Esses são alguns dos elementos mais tradicionais, além destes existem outros que vêm sendo introduzidos mais recentemente, como é o caso da ala que representa os orixás e da ala ‘afro’ que dança passos marcados.
Sendo assim, o cortejo de maracatu constitui-se em imponente espetáculo que envolve além de toda riqueza estética e simbólica, também uma intensa musicalidade através dos cânticos chamados de ‘toadas’ e da orquestra percussiva que executa diversos tipos de ‘baques’.
O maracatu de baque virado é um universo extremamente rico em termos estéticos, rítmicos, históricos e comunitários. Envolve dança, música, canto, alegria, ritual, e principalmente um enorme envolvimento emocional-comunitário.

Agumas das principais Nações de Maracatu do Recife:

Porto Rico
Estrela Brilhante
Leão Coroado
Cambinda Estrela
Elefante
Encanto da Alegria
Estrela Brilhante de Igarassú

TIPOS DE MARACATU 2

FORMAÇÃO
o Maracatu de Baque Virado ou Nação, tem como seguidores os devotos dos Cultos Afro-brasileiro da linha Nagô. A boneca usada nos cortejos chama-se Calunga, ela encarna a divindade dos orixás, recebendo em sua cabeça os axés e a veneração do grupo. A música vocal denomina-se toadas e inclui versos com procedência africana. Seu início e fim são determinados pelo som de um apito. O tirador de loas é o cantador das toadas, que os integrantes respondem ou repetem ao seu comando. O instrumental, cuja execução se denomina toque, é constituído pelo gonguê, tarol, caixa de guerra e zabumbas.
PERSONAGENS É formado pelas seguintes figuras: rei, rainha, dama-de-honra da rainha, dama-de-honra do rei, príncipe, princesa, ministro, embaixador, duque, duquesa, conde, condessa, vassalos, damas-de-paço (que portam as calungas durante o desfile do maracatu), porta-estandarte, escravo sustentando a umbrela ou pálio (chapéu-de-sol que protege o casal real e que esta sempre em movimento), figuras de animais, guarda-coroa, corneteiro, baliza, secretário, lanceiros, brasabundo (uma espécie de guarda costa do grupo), batuqueiros (percurssionistas), caboclos de pena e baianas.
MARACATUS DE BAQUE VIRADO OU NAÇÃO
Nação Elefante – fundado em 1800Nação Leão Coroado – fundado em 1863Nação Estrela Brilhante – fundado em 1910Nação Indiano – fundado em 1949Nação Porto Rico do Oriente – fundado em 1967
Estes são alguns Maracatus de Nação em plena atividade no carnaval de Pernambuco=.
NOITE DOS TAMBORES SILENCIOSOS
É a reunião dos Maracatus de Tradição de Baque Virado ou Nação, em frente a Igreja do Terço, no Pátio do mesmo nome. A meia noite, a um sinal os tambores param, o silêncio por si só já reverencia o momento. E, de repente, se ouve uma voz lamuriosa tirar loas em louvor a rainha dos negros NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO.
Em meio ao contagiante movimento das místicas figuras, o povo vai envolvendo-se nos passos marcados pelos tambores a atabaques. Esta tradição data mais de três séculos, tem em nossos dias o calor e as cores vivas de outrora.
A origem desse ritual se encontra encravado nos idos do período colonial. Distante da terra natal, os negros pediam a proteção de NOSSA SENHORA na tentativa desesperada de amenizar as dores do cativeiro cruel.
A cerimônia ritualística da NOITE DOS TAMBORES SILENCIOSOS sempre acontece na segunda-feira de carnaval, a partir das vinte e três horas, na Igreja do Pátio do Terço, no bairro de São José, no Recife.

MARACATU NAÇÃO PERNAMBUCO
Surge em Pernambuco uma nova geração de maracatu. Foi fundado no dia 15 de dezembro de 1989, numa festa organizada no Clube Vassourinhas de Olinda, com o objetivo de difundir o maracatu. O Nação Pernambuco é atualmente o grupo cultural de maior projeção no Estado. O Grupo gravou vários discos, os quais contendo apenas músicas de maracatu, sendo os únicos no mundo. Divulgam e resgatam a história da cultura pernambucana dentro e fora do Brasil.
Apresentam-se durante todo ano, no segundo domingo de cada mês, com grupos convidados, no Mercado Popular Eufrásio Barbosa no bairro do Varadouro na entrada da cidade de Olinda.

MARACATU DE BAQUE SOLTO OU RURAL

HISTÓRICO

Ao contrário dos Maracatus de Baque Virado ou Nação, que têm suas origens em cortejos de reis africanos, o Maracatu de Baque Solto, também chamado de Maracatu de Orquestra ou Rural, tem suas origens na segunda metade do século passado e deve ser uma transfiguração dos grupos chamados Cambindas (brincadeira masculina, homens travestidos de mulher). Os Maracatus de Baque Solto são uma espécie de fusão de elementos dos vários folguedos populares, que vêm às ruas das cidades próximas aos engenhos de açúcar como: Goiana, Nazaré da Mata, Carpina, Palmares, Timbaúba, Vicência, etc., durante o carnaval, com características e colorido próprio, garantindo sempre a presença nos carnavais do Recife. O cortejo do Maracatu de Baque Solto, diferencia-se primeiramente do maracatu tradicional, pela ausência do rei e da rainha.

FORMAÇÃO

Um ritmo rápido de chocalhos, percussão unissonora e acelerada do surdo, acompanhada da marcação do tarol, do ronco da cuíca, da batida cadenciada do gonguê, do barulho característico dos ganzás, um solo de trombone, e outros instrumentos de sopro que, juntos, dão ao conjunto características musicais próprias e bem diferenciadas dos maracatus tradicionais. O maracatu desfila num círculo compacto, tendo ao centro o estandarte, rodeado por baianas, damas-de-buquê com ramos de flores de goma, boneca (calunga) de pano ou plástico e caboclos de pena. Rodeando este primeiro círculo vem os caboclos de lança, que se encarregam de abrir espaço na multidão, com seus saltos e malabarismos, com as compridas lanças, como a proteger o grupo e as lanternas de papel celofane que, geralmente vem representando o símbolo da agremiação

PERSONAGEM PRINCIPAL

Com suas lanças de mais de dois metros de comprimento, feitas de madeira com uma ponta fina e uma enorme cabeleira de papel celofane cobrindo o chapéu-de-palha, o rosto tingido de urucum ou por outras tintas, lenço estampado cobrindo a testa, camisas e calças de chitão, meiões e sapatos de lona, o Caboclo de lança tem o destaque de sua indumentária na gola bordada e no surrão. A gola de sua fantasia, feita em tecido brilhante, de cores vivas, é totalmente rebordada com vidrilhos e lantejoulas. A gola representa o maior orgulho e a vaidade do caboclo de lança, sendo quase sempre confeccionado por sua companheira, durante.

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Maracatu_Nação
http://www.terrabrasileira.net/folclore/regioes/5ritmos/marural.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Maracatu_Rural

TIPOS DE MARACATU

Há dois tipos de Maracatu, ambos originários e representantes do Folclore e do Carnaval de Pernambuco:

MARACATU NAÇÃO também conhecido por Maracatu de Baque Virado
Maracatu é uma manifestação cultural da música folclórica pernambucana afro-brasileira. É formada por uma orquestra de percussão que acompanha um cortejo real. Como a maioria das manifestações populares do Brasil, é uma mistura das culturas indígena, africana e européia. Surgiu em meados do século XVIII.

Os Maracatus mais antigos do Carnaval do Recife, também conhecidos como Maracatu de Baque Virado ou Maracatu Nação, nasceram da tradição do Rei do Congo, implantada no Brasil pelos portugueses. O mais remoto registro sobre Maracatu data de 1711, de Olinda, e fala de uma instituição que compreendia um setor administrativo e outra, festivo, com teatro, música e dança. A parte falada foi sendo eliminada lentamente, resultando em música e dança próprias para homenagear a coroação do rei: o Maracatu.
Parece que a palavra “maracatu” primeiro designou um instrumento de percussão e, só depois, a dança que se dançava ao som deste instrumento. Os cronistas portugueses chamavam aos “infiéis” de nação, nome que acabou sendo assumido pelo colonizado. Os próprios negros passaram a autodenominar de nações a seus agrupamentos tribais. As nações sobreviventes descendem de organizações de negros deste tipo, e nos seus estandartes escrevem CCMM (Clube Carnavalesco Misto Maracatu).
Mário de Andrade, no capítulo Maracatu de seu livro Danças Dramáticas Brasileiras II, elenca diversas possibilidades de origem da palavra maracatu, entre elas uma provável origem americana:

maracá= instrumento ameríndio de percussão;
catu= bom, bonito em tupi;
marã= guerra, confusão;
marãcàtú, e depois maràcàtú valendo como guerra bonita, isto é, reunindo o sentido festivo e o sentido guerreiro no mesmo termo.
Mario de Andrade no mesmo texto deixa claro que enumerava os vários significados da palavra “sem a mínima pretensão a ter resolvido o problema. Simples divagação etimológica pros sabedores…divagarem mais.” No entanto, sua origem e história não é certa, pois alguns autores ressaltam que o maracatu nasceu nos terreiros de candomblé, quando os escravos reconstituíam a coroação do reis do Congo. Com o advento da abolição, este ritual ganhou as ruas, tornando-se um folguedo carnavalesco.

Constituição

Do Maracatu Nação participam entre 30 e 50 figuras. Entre elas estão o Porta-estandarte, trajado à Luís XV (como nos clubes de frevo), que conduz o estandarte. Atrás, vêm as Damas do Paço, no máximo duas, e que carregam as Calungas, que são bonecos de origem religiosa, que simbolizam uma rainha morta.
A dança executada com as Calungas tem caráter religioso e é obrigatória na porta das Igrejas, representando um “agrado” a Nossa Senhora do Rosário e a São Benedito. Quando o Maracatu visita um terreiro, homenageia os Orixás.
Depois das Damas do Paço segue a corte: Duque e Duquesa, Príncipe e Princesa, um Embaixador (nos Maracatus mais pobres o Porta-estandarte vale como Embaixador).
A corte abre alas para o Rei e a Rainha, que trazem coroas douradas e vestem mantos de veludo bordados e enfeitados com arminho. Nas mãos trazem pequenas espadas e cetros reais. O Rei é coberto por um grande pálio encimado por uma esfera ou uma lua, transportado pelo Escravo que o gira entre suas mãos, lembrando o movimento da Terra. O uso deste tipo de guarda-sol é costume árabe, ainda hoje presente em certas regiões africanas.
Alguns Maracatus incluem nesse trecho do cortejo também meninos lanceiros e a figura do Caboclo de Pena, que representa o indígena brasileiro e tem coreografia complicadíssima.
A orquestra do Maracatu Nação é composta apenas por instrumentos de percussão: vários tambores grandes (alfaias), caixas e taróis, ganzás e um gonguê (metalofone de uma ou duas campânulas, percutidas por uma vareta de metal).Hoje em dia, se usa xiquerês(instrumento confeccionado com uma cabaça e uma saia de contas). O Mestre de Toadas “puxa” os cantos, e o coro responde. As baianas têm a responsabilidade de cantar, outras vezes, são os caboclos, mas todos os dançarinos também podem participar.

Este Maracatu mais tradicional é chamado de Baque Virado porque este termo é sinônimo de um dos “toques” característicos do cortejo.
Os Maracatus de Baque Virado sempre começam em ritmo compassado, que depois se acelera, embora jamais alcance um andamento muito rápido. Antes de se ouvir a corneta ou o clarim, que precedem o estandarte da Nação, é a zoada do “baque” que anuncia, ao longe, a chegada do Maracatu.

O Maracatu se distingue das outras danças dramáticas e das danças negras em geral pela sua coreografia. Há uma presença forte de uma origem mística na maneira com que se dança o Maracatu, que lembra as danças do Candomblé. Balizas e Caboclos dançam todo o cortejo. Baianas e Damas do Paço têm coreografias especiais. Todos os outros se movimentam mais discretamente. Caboclos e Guias fazem muitas acrobacias, que parecem com os passos dos frevos de carnavalescos. Mário de Andrade descreve a dança das yabás(baianas): “Embebedadas pela percussão, dançam lentas, molengas, bamboleando levemente os quartos, num passinho curto, quase inexistente, sem nenhuma figuração dos pés. Os braços, as mãos é que se movem mais, ao contorcer preguiçoso do torso. Vão se erguendo, se abrem, sem nunca se estirarem completamente no ombro, no cotovelo, no pulso, aproveitando as articulações com delícia, para ondularem sempre. Às vezes, o torso parece perder o equilíbrio e lerdamente vai se inclinando para uma banda, e o braço desse lado se abaixa sempre também, acrescentando com equilíbrio o seu valor de peso, ao passo que o outro se ergue e peneira no ar numa circulação contínua e vagarenta…”

Personagens

As personagens que compõem o cortejo são os seguintes:
1. Porta-estandarte, que leva o estandarte; este contém, basicamente, o nome da agremiação, uma figura que o represente e o ano que foi criada.
2. Dama do paço, mulher que leva em uma das mãos a CALUNGA(boneca de madeira, ricamente vestida e que simboliza uma entidade ou rainha já morta).
3. Rei e rainha, as figuras mais importantes do cortejo, e é por sua coroação que tudo é feito.
4. Vassalo, um escravo que leva o PALIO(guarda-sol que protege os reis).
5. Figuras da corte: príncipes, ministros, embaixadores, etc.
6. Damas da corte, senhoras ricas que não possuem título nobiliárquicos.
7. Yabás, mais conhecidas como baianas, que são escravas.
8. Batuqueiros, que animam o cortejo, tocando vários instrumentos, como caixas de guerra, alfaias (tambores), gonguê, xiquerês, maracás, etc.

Algumas Nações e alguns grupos de Pernambuco


Nação Estrela Brilhante

Nação Leão Coroado

Nação Porto Rico

Nação Elefante

Cambinda Estrela

Encanto da Alegria

Nação Pernambuco

Maracatu Nação Olinda

Maracatu Badia

Ouro do Porto

Nação do Engenho

Maracambuco

Várzea do Capibaribe

Batuque Estrelado

Leão Negro (Olinda)

Maracatu Chuva de Prata (Olinda)

Maracatu A Cabralada (Olinda)

Maracatu Vila Nova (Surubim)

Aurora Africana (Jaboatão dos Guararapes)

Maracatudo Camaleão (Olinda)

Grupos pelo Brasil

Nação Amaranto (Divinópolis – MG)

Mucambo (percussão) (São João del Rei – MG)

Baque do Vale (Itajubá – MG)

Trovão das Minas (Belo Horizonte – MG)

Maracatu Lua Nova (Belo Horizonte – MG)

Bojo Malê (Campo Grande – MS)

Nação Fortaleza (Fortaleza – CE)

Nação Iracema (Fortaleza – CE)

Vozes D’africa (Fortaleza – CE)

Reis de Paus (Fortaleza – CE)

Nação Acasa (Salvador – BA)

Maracaeté (Curitiba – PR)

Estrela do Sul (Curitiba – PR)

Boizinho Faceiro (Curitiba – PR)

Voa-Voa Maracatu Brincante (Curitiba – PR)

Treme Terra (Bombinhas – SC)

Jaé (Itajaí – SC)

Arrasta Ilha (Florianópolis – SC)

Ilê Aláfia (São Paulo – SP)

Nobre Real (São Paulo – SP)

Bloco de Pedra (São Paulo – SP)

Caracaxá (São Paulo – SP)

Quiloa (Santos – SP)

Nação Tainã (Campinas – SP)

Rio Maracatu (Rio de Janeiro – RJ)

Maracatu Truvão (Porto Alegre – RS)

Rochedo de Ouro (São Carlos -SP)

MARACATU RURAL é uma manifestação cultural da música folclórica pernambucana no qual figuram os conhecidos caboclos de lança. É conhecido também por Maracatu de Baque Solto. Distingue-se do Maracatu Nação ou Maracatu de Baque Virado, em organização, personagens e ritmo.
A crise que antecedeu a II Guerra Mundial provocou uma onda migratória da zona rural para o Recife. Os Maracatus Rurais, também conhecidos como Maracatus de Orquestra ou de Trombone, surgiram nessa época, através da fusão de
vários folguedos do interior de Pernambuco, especialmente da zona canavieira. Portanto, nada têm a ver com a instituição mestra do Rei do Congo.
São muito mais recentes e, como trazem Caboclos de Lança e de Pena, podem, às vezes, ser confundidos com os Caboclinhos. Seu acompanhamento musical reúne gonguê com duas campânulas (metalofone percutido com vara de metal), ganzá, tarol, cuíca, surdo, zabumba, saxofone, corneta e trombone, com coro exclusivamente feminino.

Além do Rei e da Rainha, trazem como personagens a Porta-Bandeira ou Baliza, a Dama do Paço, as Porta-Buquês, as Baianas, os Caboclos, os Caboclos de Lança (com chapéu em forma de funil), caboclos de Pena e a Boneca Aurora. A lança dos Caboclos é de madeira torneada e tem a ponta aguda, de cerca de 3Ocm. Eles a seguram com as duas mãos e brincam para cima, para baixo, para os lados, afastando a multidão, enquanto correm, saltam e dançam.
Têm o rosto tingido e entre seus passos característicos acontece um duelo fictício (caso contrário, feriria os brincantes com as lanças). Rápido e violento, esse duelo lembra, pelas batidas das lanças, as danças de espada ou de bastão.
Os Caboclos de Pena ou Tuxáus usam um capacete grande, bordado, com penas tingidas de cauda de pavão, e fitas largas.
O conjunto do Maracatu Rural avança rapidamente em formação circular. Os Caboclos de Lança correm por fora do círculo e as Baianas e Damas de Buquê dançam num outro círculo interior, no centro do qual ficam o estandarte, a Boneca Aurora e os Caboclos de Pena.

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Maracatu_Nação
http://www.terrabrasileira.net/folclore/regioes/5ritmos/marural.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Maracatu_Rural

O QUE É MARACATU ?

MARACATU DE BAQUE VIRADO

Também conhecido como “Nação”, mantém em seu desfile o cortejo real, muito próximo daquele outrora apresentado pela escravaria africana, no período colonial, para homenagear a coroação do Rei do Congo.

A presença do Maracatu de Baque Virado é mais marcante na área urbana, mais precisamente na capital. Antigamente, suas apresentações aconteciam no pátio das igrejas de Recife, Olinda e Itamaracá, promovidas pelas irmandades de Nossa Snehora do Rosário dos Pretos e São Benedito.

Com o passar do tempo, o cortejo foi evoluindo e desgarrando-se dos festejos dos Reis Magos, entrando para os festejos carnavalescos, onde hoje figura como peça importante do carnaval pernambucano.

O Maracatu até então conhecido como “Nação” passou a receber a designação de Baque Virado para diferenciá-lo da variante que surgia: o Maracatu de Baque Solto. As gentes das nações eram de origem africana, devotos dos cultos afro-brasileiros. Veneravam a Calunga (boneca) espécie de divindade muito respeitada no sincretismo religioso. Cantavam loas (toadas) para seus mortos (eguns), nas quais incluiam versos de procedência africana. As toadas cantadas pelo puxador sõa respondidas ou repetidas pelas baianas e demais integrantes do grupo.

O som de um apito determina o início e o fim de uma toada. O instrumental do Maracatu de Baque Virado é exclusivamente de percussão. O Gonguê, o tarol, a caixa de guerra e as alfaias complementam-no e dão ao cortejo como que um caráter de encontro místico entre os seus participantes. A dança mantém as origens africanas.

A exibição do cortejo dá-se de maneira ordenada: na frente vêm as Damas de Paço, que portam as Calungas durante o desfile.

Depois, protegidos por um Pálio (espécie de guarda-sol), vêm o Rei e a Rainha, cada um com sua Dama de Honra, seguindo-se o Príncipe e a Princesa, o Ministro, o Embaixador, o Duque e a Duquesa, o Conde e a Condessa, o Conselheiro, os soldados, os vassalos, as baianas, os lanceiros e a Porta-Bandeira. Seguem o cortejo ainda, o Guarda-Coroa, o Corneteiro, a Baliza, o Secretário, os Batuqueiros e os Caboclos de Pena.

MARACATU DE BAQUE SOLTO OU MARACATU RURAL

Nasceu da fusão de vários folguedos populares que existiam sobretudo nos engenhos de cana-de-açúcar da Zona da Mata Norte de Pernambuco, principalmente em Nazaré da Mata, que nessa época era um importante centro cultural e econômico do estado.

Ao contrário do Maracatu de Baque Virado, o Maractu de Baque Solto, provavelmente tem suas origens nas Cambindas, que eram brincadeiras de grupos masculinos, trajando roupas femininas.

Vivendo basicamente do corte da cana-de-açúcar ou de subemprego, os brincantes desse folguedo dão um verdadeiro exemplo de resistência, quando, com todas as dificuldades e total desamparo, conseguem manter viva a tradição e acesa a chama de sua arte.

Esses homens fortes, ajudados por suas famílias confeccionavam suas próprias fantasias, verdadeiras obras de arte bordadas em vidrilhos, canutilhos e lantejoulas.

Na verdade, cada um deles se doa de corpo e alma, a esse brinquedo. A recompensa é a alegria de ser um brincante, divertir e emocionar.

A orquestra que acompanha o Maracatu de Baque Solto é formada por instrumentos de percussão e sopro, dentro os quais o trombone. A música é a marcha, executada em quatro, seis e dez linhas rítmicas, enquanto o Maracatu Nação tem uma música entoada, que se aproxima do toque do Xangô e do Camdomblé.

A principal figura do grupo é o “Mestre”, que puxa as toadas, ao mesmo tempo em que a orquestra silencia.

Seus personagens são: o Mestre, Mateus, Bastião, Catirina, Baianas, a Dama de Paço, Bandeiristas, Burra, Caçadores, Caboclos de Pena e Caboclos de Lança.

BIBLIOGRAFIA

Secretria de cultura de Pernambuco “Espetáculos Populares de Pernambuco”.
Karina de Melo Soares, Sandra de Deus, Alba Cristina de Albuquerque Moreira

O QUE É O PROJETO ?

O Projeto Calo na Mão é composto por duas oficinas:

1. Construção de alfaias;
2. Percussão voltada para o Maracatu de Baque Virado.

Daí temos o Bloco de Pedra, composto pelos integrantes desta oficina.
Dentro da oficina de percussão temos as aulas para iniciantes, das 15:00h as 15:30h.
Ela dura quatro sábados e é preciso fazer inscrição

As atividades acontecem todos os Sábados das 12:00h as 17:00h.
End: Colégio Alves Cruz – Rua Alves Gumarães, nº 1511, Jd. das Bandeiras, São Paulo-SP (esquina da Av. Heitor Penteado). Próximo ao metrô Sumaré.

AS ATIVIDADES SÃO GRATUITAS!!!PARTICIPEM!

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